sexta-feira, 1 de julho de 2016

FILÓSOFO, O TERAPEUTA DE ONTEM, DE HOJE E DE AMANHÃ.

Uma visão distorcida da realidade e o desconhecimento da verdadeira finalidade de sua passagem pela terra, levou o homem a cultivar o desejo de desfrutar, no grau máximo, todos os prazeres que esta vida pode lhe proporcionar, daí, a incansável busca da pedra filosofal e do elixir da longa vida, sem sucesso, porque a chave para abrir essa porta encontra-se, antes nos ensinamentos ministrados pelos filósofos que na alquimia, como comprovam a insistente remissão à sabedoria antiga, feita pelos modernos terapeutas e consultores durante a realização de palestras e seminários contratados pelos grandes grupos empresariais e por instituições públicas.
Com efeito, quando Salomão afirmava inexistir nada de novo sob o sol é porque já naquela época os judeus, através de seus inspirados profetas repetiam o saber e a prática de indianos, chineses e egípcios, ou ele mesmo recordava esse saber de vidas pretéritas, adquirido em outras moradas e arquivado na sua memória inconsciente, pois, é certo, vive mais e melhor quem vive esta vida sob o ponto de vista da outra vida.
Entre os que praticam a medicina, mesmo os que não têm uma visão holística da vida, admitem pacificamente que, em geral, as doenças do corpo somático são meras manifestações do corpo espiritual desequilibrado por aflições, pelo armazenamento de sentimentos negativos, tais como o ódio, a vingança, a ambição, o orgulho e a inveja, enfim, pela nossa incapacidade de conviver com decepções e frustrações, decorrentes de desejos irrealizados.
Nessa direção, embora em épocas diferentes, caminharam juntos, Hipócrates, Paracelso, Mesmer e Hahnemann, o criador da homeopatia, que afirmavam que o homem deve ser tratado como um todo e que a arte de curar o corpo não pode desprezar a alma e suas peregrinações em vidas passadas. Aliás, Paracelso e Mesmer acreditavam na astrologia, tendo este último, em sua tese de doutorado, reportando-se ao fluido magnético presente em todos nós, sustentado a influência dos astros nas atitudes humanas, tal como defende minha querida amiga Iná Pinheiro, vizinha de "página", aqui no nosso Diário do Pará, no caderno Diário da Família.
Porém, para melhor compreensão do tema, faz-se necessário recordar, que em todas as épocas e em todos os recantos do mundo, nosso Pai Celestial, por conta da sua infinita bondade e vendo-nos como meras crianças espirituais, sempre nos enviou irmãos mais adiantados, uns no plano moral, outros no plano intelectual, verdadeiros professores, para nos ensinar que a busca do conhecimento científico e o aprimoramento das sementes de virtudes que todos nós agasalhamos no fundo nosso ser essencial, é absolutamente indispensável para o nosso crescimento espiritual e que o caminho, embora montanhesco, não dispensa a simplicidade.
Saliente-se que o homem, enquanto animal político, foi chamado a viver coletivamente, porém, preservando sua individualidade e buscando o seu adiantamento moral, por isso, os ensinamentos de todos os sábios e santos, de ontem e de hoje, em todos os recantos do planeta, foi sempre voltado para se evitar conflitos pessoais, pois, dizia Lao-tsé, "a coisa mais suave do mundo, supera a mais dura", como iremos constatar mais adiante, no próximo domingo.
Seguindo a linha de raciocínio estabelecida, no domingo passado, vamos apresentar o pensamento resumido de alguns filósofos, começando pela velha China, lembrando inicialmente, o mais destacado dos filósofos chineses, Confúcio, que ao consultar Lao-tsé, o Velho Mestre, (604 a. C.), sobre a conduta adequada para uma vida harmoniosa, obteve como resposta o seguinte conselho que jamais abandonou e vivenciou por toda sua vida: "Livra-te do teu orgulho e de muitas ambições, da tua afetação e dos teus objetivos extravagantes. O teu caráter nada ganha com tudo isso." E, esse mesmo Velho Mestre, ainda ensinava: "todas as coisas trabalham em silêncio. Existem e nada possuem. ....Quando alcançam o apogeu da florescência, cada um retorna a sua origem".
Na Índia, considerada por muitos estudiosos o berço intelectual da humanidade, como comprovam os ensinamentos contidos nos Vedas e no Bhagavad-Gitã, deparamo-nos com Buda (560 a .C.) ensinando que o caminho da iluminação, passa pelas "Cinco Regras Morais", quais sejam: "Não matar nenhum ser vivo; Não tomar o que não for oferecido; Não mentir; Não tomar bebidas embriagantes e Não ser impuro", exaustivamente recomendando aos seus discípulos a seguinte regra: "sede a vossa própria Luz e o vosso refúgio", para que pudessem limitar e até suprimir o desejo e praticar permanente e indistintamente o bem.
Abstraindo-se as obras no campo da engenharia, que alcançaram o ponto máximo com as pirâmides, no Egito antigo já se operavam a regressão de memória, a diagnose por psicometria ou vidência, o tratamento por meio de passes, ou imposição de mãos ou à distância através da projeção de fluidos, que infalivelmente curavam o moribundo, além de outros avanços inscritos nas rochas que a moderna ciência ainda não conseguiu decifrar, talvez por isso, Hermes, antevendo tal situação, escreveu a Asclépios e desse modo se pronunciou: "Ó Egito! Egito! Não restarão de ti senão fábulas inacreditáveis às gerações futuras e nada permanecerá de ti senão palavras talhadas na pedra."
Os conhecimentos ensinados nos templos egípcios, irradiaram para os mistérios gregos, através de Pitágoras e depois para Roma, um tanto deformados, por conta do pragmatismo do povo romano que muito contribuiu para o florescimento de tantas civilizações, deixando-nos belos exemplos de disciplina, obstinação e sobretudo no âmbito do direito civil, além das muitas reflexões filosóficas de Marco Aurélio, das quais, a seguir, citaremos algumas pertinentes ao nosso tema: "Jamais ser rancoroso. Estar sempre pronto ao perdão e a reconciliação, para restabelecer as primitivas relações." "Não há ninguém mais miserável do que aquele que vive rodando em torno das coisas, tentando penetrar na alma alheia. "Um semblante irado é totalmente contrário à natureza, e, quando freqüente, altera e afinal desmancha a fisionomia.
Na Grécia antiga, vamos encontrar inúmeros filósofos tentando orientar a população ignara, ainda incapaz de entender seus ensinamentos. Heráclito, por exemplo, quando anunciava a impermanência das coisas, alertava também para a necessidade que temos de aprender a administrar as repentinas mudanças que se operam em nossas vidas, oscilando da saúde para a doença, da riqueza para a pobreza, afinal, "tudo flui", exceto nossa natureza essencial.
Se Aristóteles ensinava que "a virtude está no meio", apontando o perigo dos extremos, Sócrates, sustentava que em "qualquer circunstância é preferível ser a vítima que o algoz", pois, este contrai uma dívida divina a ser resgatada num momento posterior e, ainda, com o "conhece-te a ti mesmo" aconselhava o auto-conhecimento, através da viagem ao seu interior.
Sabemos que a frenética busca pela visibilidade social e pela prosperidade material, combinada com a complexidade da vida moderna, com seu acúmulo de tarefas e informações até um certo ponto inúteis, nos deixam apreensivos e inquietos ou, na linguagem moderna, estressados, dificultando nosso retorno a vida natural e impedindo-nos de contemplar nosso mundo interior e, por isso, vale a pena conferir os versos de Yunus, poeta popular do Islã, que asseverou: " Faz da tua consciência tua primeira mestra/ Livra-te da sujeira interna,/ Faz da paciência tuas cinco orações diárias."
Corroborando a necessidade inadiável dessa viagem para o nosso interior, o poeta Rumi, nascido em Balk, hoje Afeganistão, em 1207, fundador da ordem dos Dervixes, com esses belos versos, repetiu a idéia de Sócrates, anteriormente mencionado, assim: "Faltam-te pés para viajar? Viaja dentro de ti mesmo, e reflete, como a mina de rubis, os raios de sol para fora de si. A viagem te conduzirá a teu ser, transmutará teu pó em ouro puro", confirmando que "em geral os sábios em todas as eras, sempre disseram as mesmas coisas".
É claro que conservar a "mente sã em corpo são", é um aprendizado voltado à separação do necessário do supérfluo, do joio do trigo, evitando-se o desperdício de recursos materiais e de energias com o desgaste emocional, oriundo de conflitos perfeitamente transponíveis, pelo que o oráculo de Delfos considerava que o "nada em excesso" é uma segura regra para se viver de bem com a vida e para se aprender a descobrir do que realmente necessitamos, para que possamos nos desfazer do inservível e ficar mais leve.
Ainda na velha Grécia, encontramos os estóicos, representados por Zenão de Citiun, repetindo o Velho ‘Lao-tsé, afirmando que a felicidade do homem consiste em viver em harmonia consigo mesmo, com seus semelhantes e com a natureza, ou seja, procurando evitar e, ele repete, qualquer tipo de conflito, afinal, "se você quer ser feliz por uma hora, tire uma soneca; por um dia, vá pescar, por um mês case-se; por um ano, herde uma fortuna e pela vida inteira, ajude os outros".
Outros grandes filósofos e pensadores continuaram com a nobre tarefa de nos fazer recordar os ensinamentos dos antigos e, dentre eles destacamos Immanuel Kant e François Marie Arouet, ou seja, Voltaire e Ortega Y. Gasset. O primeiro entendia que o caminho na busca da paz consistia em ser pessoas e respeitar as demais como pessoas e que as duas maravilhas da vida são "o estrelado céu lá em cima, a lei moral dentro de nós".
O segundo, admitindo que "a sabedoria não é sábia quando espanta o divertimento", considerava a sisudez uma doença, afinal, ri é o melhor remédio, para todos os males, ou ainda "o riso é o maior trunfo para o triunfo", enquanto o último, questionava o seu interlocutor, desse modo: "Tendes vós sofrimentos e inquietações? Procurai antes de mais nada a causa. Ela está em vós mesmo, no seu interior."
Entretanto, o maior de todos os pensadores, o maior terapeuta, o Espírito mais iluminado que esteve entre nós, sem dúvida foi Jesus Cristo, cujas lições, ministradas há mais de dois mil anos estão inscritas nos corações de sábios e ignorantes, das quais pela sua beleza destacamos: "Que o vosso coração não se turbe"; Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração..."; "Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus"; "Perdoa o teu ofensor até setenta vezes sete vezes."; "Não ajunteis tesouros na terra, onde a ferrugem e os vermes os corroem, onde os ladrões desenterram e roubam.""; Porque também vos inquieteis pela roupa? Observais os lírios do campo..." Enfim, "Procurai, pois, primeiramente, o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Por isso, não estareis inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu mal".
Por lógico, fácil é concluir que à medida que a ciência avança no domínio da física quântica, dos fluidos, das radiações e das vibrações vai confirmando o que a Sabedoria Antiga anunciava e sustentando que todas as doenças somáticas têm sua origem na alma em desarmonia pela incapacidade de lidar com decepções e desenganos, com traições e ingratidões; por armazenar mágoas e alimentar os sentimentos de ódio e vingança; por não entender que a verdadeira felicidade consiste na realização pessoal e não na posse de bens e poder.
Finalmente, é certo que o homem continuará a viver sua vida, oscilando entre a dor e o prazer, entre a saúde e a doença, entre a pobreza e a riqueza, entre a alegria e a tristeza, até que aconteça o triunfo do altruísmo sobre o egoísmo, confirmando o velho aforismo "mens gitat molem", ou seja, o Espírito move a matéria.

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