sexta-feira, 1 de julho de 2016

QUÊ PAÍS! QUÊ POVO! QUÊ GOVERNANTES!

  Reportando-nos à condenação de Cristo, podemos afirmar que o povo não sabe julgar e escolher a melhor alternativa, deixa-se conduzir e comprar, é interesseiro e sempre afeito a ingratidão, que se assenta na pobreza de espírito e na ignorância, que impede ou dificulta a compreensão de fatos e acontecimentos à sua volta e, por isso, não avalizamos, integralmente o enunciado, pelo qual a "voz do povo é a voz de Deus", eis que o nosso Pai sempre se pronuncia com acerto, com justiça e com sabedoria.
        Mas, contam os piadistas, que por ocasião da distribuição dos recursos naturais entre as nações, em presença dos seus respectivos mandatários, nosso Mestre Jesus teria privilegiado o Brasil, dotando o seu sub-solo com inesgotáveis jazidas minerais, água potável abundante, florestas exuberantes, flora e fauna contagiantes, que extasiam a alma de quem as contemplam, pela beleza e variedade, o que provocou a justa inconformação de alguns dos presentes, merecendo de Jesus o seguinte comentário: Vocês não imaginam o povo que vai habitar esse belo país.
        Guardando-se as devidas cautelas com as generalizações simplistas e prejudiciais, não há como não reconhecer e admitir um certo fundamento de verdade nesse dito popular, eis que o nosso povo, tido como alegre e solidário, é também mal educado, desinformado e dono de uma tolerância que beira a alienação, especialmente com a classe política, como bem demonstram os atuais acontecimentos, envolvendo certos políticos que investidos no papel de verdadeiros vestais, outrora se apresentavam ao eleitorado, que abriga no seu meio pessoas dotadas de elevada condição moral, mas que, erroneamente entendem que o exercício da caridade consiste em tudo aceitar e que a paciência deve tudo surportar.
        O cancioneiro popular, ao afirmar que, "ser alegre é melhor do que ser triste", cunhou uma verdade, pois, a alegria, segundo os antigos terapeutas, é fonte de saúde, o que não nos exime de distinguir a verdadeira alegria, aquela vinculada à prática de ações voltadas para o bem comum daquela outra fornecida pela ilusão, geralmente associada com conquistas transitórias, pessoais e alheias, e com um fim de semana barulhento, carregado de aguardente e de tecnobrega, no volume máximo.
        De um modo geral, nosso povo, por índole ou animado pela tal lei de Gérson, utiliza-se de pequenos expedientes para, sempre que possível, tirar pequenas vantagens de tudo; é violento, como comprovam os elevados índices de criminalidade nos fins de semana e o seu selvagem comportamento no trânsito, enfim, mergulhado na obscuridade, não compreende que somente através da educação é possível alguém viver em harmonia consigo mesmo, com os seus semelhantes e com a natureza.
        Somente a alegria irresponsável ou santificada pode preencher o coração de um operário brasileiro que, embora ocupando um posto de trabalho, quando no ocaso de sua vida, percebe-se impossibilitado, por exemplo, de adquirir um imóvel residencial para sua família e de lhe prover o sustento digno e de atender a demanda mínima de serviços essenciais postos à disposição de apenas uma parcela venturosa da população.
        Semelhante situação, na qual o ignorante aceita sua exclusão social, como fruto de um processo justo e natural, só é compreensível para quem aceita como verdade o ensinamento contido no Eclesiastes 1:12-18: "...quem aumenta o conhecimento aumenta a dor", e que, por isso prefere permanecer envolto nas trevas da ignorância, sem compromisso com o seu processo evolutivo, portanto, livre das aflições oriunda da submissão à regras e à disciplina.
        Sabemos que a maioria das nossas crianças e adolescentes não têm assistência governamental nem uma família organizada que lhe dê afeto, formação moral e intelectual e as condições garantidoras de uma boa apresentação pessoal, requisitos que habilita o jovem a se candidatar ao emprego escasso. O mesmo acontece com os nossos "velhinhos sem saúde", que morrem nas filas da previdência, de tal modo que o incompreensível contentamento do povo brasileiro, só pode ser fruto da condição de santidade ou da completa ignorância que obscurece a visão da alma e nos leva a aceitar passivamente o sofrimento.
        Quanto ao item solidariedade, a classe abastada, que lucra com as parcerias governamentais, pratica a pseuda solidariedade distribuindo aos pobres, presentes e alimentos não perecíveis, nas datas festivas, entretanto, tomada de pavor e asco torce o nariz para as crianças perebentas e direciona seu afeto e cuidado para os cães perfumados que ela insiste em humanizar, já o povo, é incapaz de manifestar sua indignação diante de tragédias que alcançam famílias, como nas execuções de jovens pobres, na maioria negros, moradores de favelas e baixadas, sob a alegação de envolvimento com o crime organizado. Logo eles, que não conseguem organizar uma idéia.
        Porém, se a rogativa de Cristo, dirigida ao nosso Pai Celestial, alegando que os seus algozes não sabiam o que faziam, nos dá a certeza de que Deus, perdoa a ignorância, (Deus não leva em conta os tempos da ignorância, Atos dos Apóstolos 7.30), a totalidade da culpa, é dos mais esclarecidos, representados por uma parcela do empresariado arcaico e de governantes que, juntos e deliberadamente confundem a coisa pública com a privada e muitas vezes terminam saqueando a nação e escravizando a população ordeira, que não ousa questionar a realidade e defender seus direitos.
        Essa profunda diferença econômica e social entre as famílias brasileiras, acontece porque muitos dos nossos dirigentes, formados no exterior e até mesmo os que não têm formação acadêmica e que enfrentaram as dificuldades da pobreza, não têm compromisso com o nacionalismo e ainda não desenvolveram o sentimento de piedade por esse povo ignaro e sofrido.
        A maioria deles pratica a política sem princípios e desenvolve suas atividades econômicas, focando um único objetivo, o lucro puro e simples, quase sempre atropelando direitos e interesses do consumidor, como se constata, nos casos de produtos adulterados, no preço e na qualidade, além da busca do enriquecimento sem causa, caso da cobrança de taxa de assinatura de telefonia fixa e outros tantos milhares de exemplos anunciados diariamente pela mídia escrita e televisiva.
        São executivos que falam em sinergia e que todos devem unir suas forças para produzir, mas, na hora de dividir o "bolo" eles ficam com as vantagens, alardeando em jornais lucros semestrais de bilhões de reais, caso das instituições financeiras que, com o aval do governo do povo, cobram taxas extorsivas por um serviço de qualidade duvidosa, que se inicia no atendimento em intermináveis filas e termina com o pagamento de salários indignos para a maioria de seus empregados, acrescida de alguma vantagem para os seus modernos capatazes.
        Seguindo a linha de raciocínio estabelecida nos artigos anteriores, é fácil compreender que, sob o pomposo título de "responsabilidade social", as grandes empresas, ao invés de instituírem programas voltados ao crescimento pessoal de seus empregados, por intermédio do pagamento de uma remuneração condigna, do constante aperfeiçoamento profissional e da participação no lucro operacional da empresa, para que suas respectivas famílias possam garantir a formação moral e intelectual dos seus filhos, limitam-se ao cumprimento da lei e preferem, quando da negociação de reajustes de salário, lhes oferecer migalhas, extensivas à sociedade sob a forma de programas que são de responsabilidade exclusiva do governo, que induz o operário a abdicar do seu lazer para pintar escolas públicas, julgando estar praticando a solidariedade.
        Falar em governo, na atual conjuntura política e econômica, só reforça a idéia antes referida, de que a maioria dos governantes não desenvolveu o sentimento de amor à pátria e de respeito pelo cidadão trabalhador que, somente em um quarto de século consegue auferir, por exemplo, o que um deputado percebe a título de remuneração mensal, isso sem o mensalão, o que comprova a injusta e acentuada distribuição de rendas neste país de privilégios concentrados nas mãos de poucos, os quais, apesar da evidente multiplicação de miseráveis, que buscam satisfazer seus anseios em outras pátrias, insistem em passar a ideologia de que o povo é feliz, (porque o país é penta campeão) e que o melhor do Brasil é o brasileiro, e nesse aspecto eles têm razão porque o brasileiro é antes de tudo, não um forte, mas um acomodado.
        Veja o caro leitor, que um assunto nos remete para outro, assim não se pode falar em mensalão sem se reportar a figura central do episódio, Deputado Roberto Jefferson, tido por alguns como o maior representante do mal, eu, porém, não comungo com essa idéia, eis que o sincero arrependimento representa o primeiro passo para a cartase, para a renovação, tal como encontramos nos Atos dos Apóstolos, 3.19: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, a fim de que sejam apagados os vossos pecados, e deste modo venham da face do Senhor os tempos de refrigério."
        Errar todos erramos, o que não devemos é permanecer no erro, pois, induvidoso é o nosso direito de mudar, voltar atrás e reparar danos que possamos ter causado a terceiros, e o Deputado citado, ainda que pela via oblíqua, prestou um grande serviço a nação, denunciando o esquema que em "tenebrosas transações", avançava no sentido de destruir a República, o Regime Democrático de Direito e as liberdades individuais, porque "onde o ouro fala, tudo se cala", ou quase tudo, como demonstrou o nosso personagem que, ao invés de negar como muitos fazem, num misto de coragem e humildade, assumiu os seus erros e põe em risco o seu mandato e gritando para o mundo: "Aqui tem mensalão", cuja iniciativa a CPI vai apurar, para que nenhum governo jamais venha confundir os princípios da transparência e da publicidade, com transferências para publicitários. A família brasileira, amargurada e decepcionada, agradece e renova sua esperança, talvez no aparecimento de um novo Júlio César, com a sua XIII legião.

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