Muito embora, muitos já tenham afirmado, insistimos em repetir que a violência, nas suas mais variadas formas, acompanha o homem desde a sua aparição neste orbe, como se depreende da tragédia protagonizada pelos irmãos Caim e Abel, na aurora dos tempos, quando ainda tudo era paz e tranqüilidade e a vida um verdadeiro paraíso.
Naqueles tempos, somente o ciúme de uma bela mulher e a inveja do rival poderia motivar a prática de um homicídio, eis que tudo era fartura, enquanto atualmente, a simples sobrevivência suscita uma acirrada concorrência, que traz em seu bojo toda sorte de violência, que se manifesta no lar, no local de trabalho, na escola e principalmente nas vias públicas.
O homicídio, por exemplo representa a violência no seu mais alto grau, afirmando-nos que ela é um ato humano, pois, quando um animal devora outro, ele o faz em razão de um imperativo que escapa a qualquer outra alternativa, configurando um ato natural resultante de um esquema pré fabricado pela natureza.
Somente depois que o Jornal da Band, mostrou insistentemente a crescente violência nas grandes cidades, notadamente Rio de Janeiro e São Paulo, é que a imprensa resolveu dar destaque para a questão, procurando discutir suas causas e encaminhar sugestões para, pelo menos a médio prazo, minimizar seus efeitos perversos para toda a sociedade, que hoje vive apavorada com essa onda de assaltos, seqüestros e assassinatos tão bárbaros quantos fúteis.
Variadas são as suas causas e, dentre muitas podemos apontar a publicidade agressiva na busca do cliente a qualquer preço, a conquista do prestígio social, do poder político e dos valores amoedados, os programas violentos e pouco educativos ofertados pelas cadeias de televisão, nos horários nobres e até mesmo o progresso tecnológico, que lança, um enorme contigente da população que não conta com recursos disponíveis para o seu aperfeiçoamento e para a sua adequação aos novos padrões da civilização, ao desemprego e portanto a margem da sociedade, o desrespeito a tradicionais direitos adquiridos, como vem fazendo o atual governo, e, até mesmo o ato de regozijar-se com o fracasso alheio.
Para Jean-Marie Domenach, a violência é uma força que se exerce sobre um homem ou grupo com a finalidade de se obter dele o que com a palavra, com a moral nem com o direito se obteria, por isso, ela sempre traduz uma certa arrogância e inferioridade moral do seu autor que tenta privar o seu semelhante da liberdade de expressão, de reflexão e de julgamento, transformando-o num mero instrumento dos seus projetos pessoais ao invés de trata-lo como um parceiro livre e igual, como aliás recomenda a moral Cristã.
Inútil perder tempo tentando listar dezenas de causas determinantes da violência, pois todos sabemos que só existe uma forma eficaz de se combate-la e que é exatamente através do processo educacional, que deve contemplar a indispensável formação religiosa, porém, segue-se que para tal é indispensável uma firme ação governamental para garantir a estabilidade econômica e o emprego do pai de família, pois a fome nas sociedades modernas é a expressão mais cruel da violência, que, diga-se, está no mesmo nível do homicídio.
Nesse sentido, não há como duvidar, esconder ou negar, que o atual governo, por intermédio de suas políticas é o maior semeador da violência, e aqui não me refiro àquelas praticadas nas praças públicas por seus agentes, quando prendem, espancam e torturam e às vezes até matam cidadãos, mas, em especial aquela patrocinada pelo elevado desperdícios de recursos que, lançam nas ruas crianças prontas para serem exploradas pelo trabalho escravo ou pelos traficantes, ou simplesmente transformá-las em oferendas a deusa da morte, atualmente tão comum nos sertões nordestinos.
Hoje, o nosso país vive dias conturbados por tantos desencontros, especialmente na política, as voltas com a falta de dignidade e honradez de determinados homens públicos que, pelos cargos que ocupam e pela confiança em si depositada pelos seus concidadãos, deveriam se constituir em exemplos de luta por uma Pátria digna de ser exaltada por seus filhos, porém, o que se constata, apesar de tanta riqueza é um quadro dantesco de sofrimento e dor, pois, mais de 40 milhões de brasileiros estão hoje vivendo em condições de indigência, abaixo, portanto, da faixa da miséria.
Busca-se uma saída honrosa para a crise econômica e moral que ora atravessamos e "reformas" são efetuadas, CPIs são instaladas, mas ao final, a solução que os sábios dirigentes dessa Nação apresentam, após intermináveis reuniões em gabinetes atapetados é o congelamento dos salários aliado ao corte de tradicionais direitos dos trabalhadores e a criação de novos impostos e aumento das alíquotas dos antigos, tudo visando proteger o emprego e a produção, dizem eles, que esqueceram ou desconhecem a lição de Henry Ford, que demonstrou à sociedade americana, que o aumento de produção e de produtividade sem um salário justo, permanentemente atualizado, por si só não é capaz de garantir o consumo, a produção, a arrecadação de impostos, enfim, movimentar a economia.
Entretanto, qualquer homem do povo sabe que o correto seria, ao invés dessas medidas simplistas, o governo deveria fiscalizar-se a si mesmo, impedindo a enxurrada de benesses dirigida a uma camarilha que, com esperteza locupleta-se do dinheiro público, como é o caso dos trinta bilhões de dólares doados a alguns inocentes banqueiros, que agora serão rigorosamente investigados, pela CPI do Sistema Financeiro, enquanto o povo continua sonhando com dias melhores que nunca chegam. Engraçado né?
Então, que fique claro que jamais venceremos a violência com carros blindados, muros altos, cachorros ferozes que só atacam crianças e aposentados inocentes, esquemas eletrônicos, sensores infravermelhos, alarmes e seguranças com pinta de boxer, pois todo esse arsenal de segurança é inútil se não houver uma revolução de valores com o fortalecimento da cidadania para que possamos afastar governantes incapazes de realizar "fragas" de improbidade na administração e por isso, identificados com a "marka" da imoralidade, mas, ao contrário, exigir deles uma postura garantidora de investimentos significativos na educação, voltados para uma adequada formação moral, cívica e religiosa dos nossos jovens e crianças.
Ah, para isso é indispensável um governo forte, que aplique de modo absolutamente correto os recursos arrecadados da sociedade, que fiscalize os gastos públicos, que seja capaz de criar empregos, de desconcentrar a renda nacional, que recupere a auto estima do cidadão ao invés de, entre gracejos irônicos e fanfarras, semear na alma popular a descrença, o desânimo, a desesperança e a revolta, causadora de todas as modalidades de violência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário