quinta-feira, 30 de junho de 2016

A FILOSOFIA EM NOSSAS VIDAS

O estudo da filosofia enquanto disciplina integrante dos currículos escolares, até mesmo no terceiro grau, jamais foi bem aceita pela maioria dos estudantes que não atinam com a sua elevada relevância para a formação de uma verdadeira consciência crítica, estimulando a construção do pensamento abstrato e o amadurecimento emocional das pessoas, tendo em vista a formação de cidadãos capazes de pensar e agir com a necessária independência perante as questões cotidianas, advindas das relações sociais em todos os setores da atividade humana.
Não obstante, a filosofia não deva ser confundida com o natural ato de pensar do homem, ela não é privativa dos espíritos altamente evoluídos, de tal modo que sendo ela uma "procura amorosa da verdade" qualquer pessoa, até mesmo o homem comum, medianamente inteligente pode, diante de um objeto, assumir uma atitude filosófica e, para tal basta, possuir capacidade de admirar-se diante de fatos, no entender de Platão, e coragem e disposição para indagar permanentemente a realidade, isto é, o conhecimento instituído, segundo E. Kant, filósofo alemão do século XVIII.
Sem dúvida o que distingue o homem do animal é a sua capacidade de articular palavras, estabelecer signos arbitrários (símbolos) e desenvolver o pensamento abstrato e conceitual e, o que mais precisamente distingue os homens entre si, é a capacidade de reflexão de cada um, isto é, a disposição para filosofar, em outras palavras, repensar o seu pensamento e superar todos os desafios para questionar o status quo, tendo em vista a transformação da realidade para algo melhor.
Nesse sentido, a ação do animal sendo inteiramente intuitiva, mantém-se, dentro da espécie, invariável de geração para geração, ao longo dos séculos, com aquela idéia aparente de perfeição, o que não deve ser confundido com o trabalho humano, fundamentado na vontade livre e consciente, que combinando técnicas do passado com idéias novas, obtém o aperfeiçoamento das atividades humanas, configurado no poder nomotético do espírito que, segundo eminente professor Miguel Reale, é a faculdade de outorgar sentido aos atos e às coisas para subordinar a natureza aos fins específicos do homem.
Os estudiosos que pesquisam o poder da mente, têm afirmado com bastante freqüência que o homem só se utiliza de uma fração milésima daquele poder e que essa parcimoniosa utilização é causa maior do nosso sofrimento e do atraso do nosso progresso material e por isso promovem cursos e cursos voltados para o aprendizado e manuseio daquele recurso, afinal, "o que somos é conseqüência do que pensamos" segundo já afirmava Buda, (556 - 476 a. C.).
Nesse passo é fácil identificar nas repartições públicas e empresas, muitas pessoas travestidas de chefes gestores e gerentes que ainda sequer perceberam que a execução de uma tarefa, para não se tornar num desastre e comprometer a qualidade dos serviços postos pela instituição à disposição da sociedade, precisa ser permanentemente objeto de ajustes e reflexões envolvendo questionamentos relativos a sua razão de ser e existir tendo em vista o seu aperfeiçoamento e até mesmo a sua extinção, comprovada a sua inutilidade.
O homem que realiza uma tarefa, por força do hábito e da tradição, da mesma forma que seus antecessores a realizavam a quinhentos anos, sem questionar a sua validade e a sua importância para o sistema no qual ela se encontra inserida, com a devida vênia, assemelha-se mais a um João-de-barro, que possuindo somente a inteligência concreta, comum aos animais, pode repetir com habilidade as tarefas de sua espécie e chegar até a impressionar o observador desatento mas, como não alcança a finalidade de sua ação, temos a certeza, apenas contribui para ancilosar a instituição a que pertença, ferindo-a mortalmente.
Do exposto com razoável tranqüilidade, pode-se afirmar que a grande relevância do estudo da filosofia, que ao despertar no homem uma consciência crítica, aplicável em todos os setores do saber humano, incute-lhe o salutar hábito de questionar permanentemente o conhecimento instituído e a validade de suas ações no presente, projetando-as para o futuro com o propósito de avaliar as suas conseqüências no caso concreto, o que configura um processo mental que nos permite distinguir a ação humana da ação animal, e ao final repetir com A. Einstein que "a imaginação é mais importante do que o conhecimento".

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