Na fase de crescimento, a criança ensaiando os primeiros passos frequentemente cai e em seguida levanta-se até ganhar a segurança e a consistência necessárias para caminhar sozinha, na direção de novos horizontes e dos seus objetivos, imprimindo em sua mente a lição, cantada em versos pelo cancioneiro popular, assim: “levanta sacode a poeira e dá a volta cima”, mas que nem sempre é lembrada nas difíceis caminhadas da vida, porque a ansiedade e o orgulho impedem que avaliemos as causas do suposto fracasso, que na verdade deve se constituir em lição para novas investidas.
Eventualmente, por força do destino, a criança poderá ser assaltada por um vírus poderoso (como um arquivo de computador) que dificultará a sua locomoção e até mesmo a impossibilitará de andar, mas não de se movimentar na vida civil, crescer e se destacar, como se depreende de tantos exemplos de superação que a mídia tem divulgado, o que não ocorre com muitas pessoas e instituições públicas contagiadas por uma espécie de ancilose administrativa.
E, porque será que a máquina administrativa movimenta-se tão lentamente e na direção contrária aos verdadeiros interesses da população, que a sustenta e dos seus servidores, sua força motriz?
De um modo geral porque a Instituição não está devidamente equipada, apresentando marcante carência de pessoal e equipamentos reunidos em instalação física de péssima qualidade e, movimentada por um quadro de servidores mal remunerado e desmotivado. Em outras ocasiões o gestor tem até alguma vontade de “acertar”, para segurar o seu DAS, mas não é do ramo e não conhece a vida e as funções da Instituição, pois foi nomeado para o cargo por forte apadrinhamento político, por isso, não delega competências e, dessa combinação o que se pode esperar é o escândalo e o caos administrativo.
Todavia, existem situações em que o gestor embora sendo do ramo, é dotado com alguma experiência profissional e, dispondo de razoável alocação de recursos, agrupados em prédio apropriado, porque coloca os seus interesses pessoais e do seu grupo acima dos da Instituição e dos demais servidores, não consegue maximizar os objetivos do órgão que dirige e o resultado é o seu distanciamento da realidade social e as frequentes colisões com os anseios da população.
Acontece também que alguns gestores, porque acreditam que um “cargo de chefia” é capaz de lhe purificar a alma e de ampliar sua capacidade intelectual, terminam deslumbrados com o exercício de uma pequena parcela do poder, pelo que passam a acreditar demasiadamente nas suas próprias compreensões e que suas convicções subjetivas são verdades objetivas incontestáveis.
Desprezam a experiência de antigos servidores porque esquecem que o saber se aprende com os mestres, nas escolas e a sabedoria com a vida e que a própria ciência fundamenta suas pesquisas e o conhecimento acadêmico na experiência empírica e que a história ensina que o uso do cetro para dominar o homem simples, que ama a liberdade, quase sempre resulta em despotismo e consequente revolta universal.
Em outras situações o gestor ocasional, com a visão obnubilada pelo brilho do ouro, afasta-se do seu compromisso com a respectiva missão institucional, olvida a sua outrora atuação funcional, sufoca seus remanescentes bons propósitos e sonha contar com subordinados obnóxios que, à semelhança dos vis senadores que aplaudiram o Imperador Calígula quando nomeou o seu cavalo, Cônsul de Roma, e que em troca de pequenos favores, trabalham para consolidar os interesses seus e os do seu chefe e não os da Instituição e, quanto os que lutam contra a espoliação, a ambição e não se deixam explorar são considerados desidiosos e não proativos.
Assim, gestores com a mente e a postura de donatários, julgam que todos os seus subordinados são otários para acreditar em mentiras com a aparência de verdades e em ações sabidamente ineficazes, como se dizia nos tempos do Império brasileiro, “para inglês ver” e para a mídia noticiar em alto estilo, com a finalidade de iludir e excitar a mente do leitor ingênuo.
Com efeito, quando os servidores de um “reino”, estão envolvidos com os seus objetivos e usufruem a justa recompensa e os dividendos proporcionais ao seu esforço e à sua posição hierárquica, eles suportam o ônus fiscal, a carga de trabalho e a responsabilidade funcional e, nesse caso, a máquina administrativa movimenta-se com celeridade e suas ações tornam-se eficazes, mas quando a “base” suporta o sol escaldante, o suor do seu esforço e tem como recompensa “o pão que o diabo amassou” e o “osso duro de roer”, a prática de qualquer ação administrativa torna-se ineficaz, pelo que facilmente pode-se concluir que há algo de errado nesse “reino”, capaz de gerar um surdo motim ou uma descontrolada explosão de ira, cujo desdobramento e alcance é difícil de avaliar, a exemplo do violento movimento dos “blach block”, que o governo não enfrenta com a necessária energia.
Destarte, considerando os argumentos anteriores, é razoável admitir que uma Instituição somente realiza a sua missão, com altivez e eficácia, quando o seu respectivo gestor submete os seus interesses aos da Instituição, estabelece tratamento justo entre os seus subordinados e os recompensa de acordo com a participação e com o sacrifício de cada um, ou com outras palavras: se ele, ofertando o bom exemplo, segue os caminhos da ética. O resto é bazófia, fruto do deslumbramento.
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