quinta-feira, 30 de junho de 2016

CONHECIMENTO E FÉ

O conhecimento e a fé são duas experiências distintas. A primeira está relacionada com a inteligência, é uma conquista da razão, pois quem passa a conhecer, jamais vai ignorar o aprendizado. A fé é uma experiência emocional, assenta-se no sentimento, que vai se renovando e se fortalecendo à medida que o conhecimento vai se ampliando, se diversificando e se aperfeiçoando, embora a existência dos grandes desvios morais, sob a forma de guerras, massacres, e a tortura de prisioneiros, patrocinados por pessoas altamente intelectualizadas e por Estados que já dominam o mundo microscópico e a tecnologia espacial.
Assim, por exemplo, quando um paciente, submete-se a uma consulta clínica e o médico, após auscultá-lo e analisar os diversos exames laboratoriais, firma determinado diagnóstico, o faz baseado no conhecimento adquirido ao longo da sua trajetória acadêmica, restando àquele, aceitar ou não, conforme a credibilidade que o profissional tem perante a sociedade e a sua experiência de fé, pelo que podemos afirmar que Jesus, neste mundo, agiu com conhecimento, da ciência vigente à sua época e das leis espirituais, daí porque Ele afirmou "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" e realizou curas até hoje tidas por muitos como milagres.
Os que, ainda não alcançaram o verdadeiro significado das máximas, "o amor tudo constrói" e "o amor cobre a multidão de pecados", entendem como milagrosas as manifestações de amor, patrocinadas por Jesus, em favor de tantos deserdados da sorte que encontrou no seu caminho, certamente porque ainda cultivam a fé rudimentar, que tudo aceita sem um exame criterioso das causas determinantes das ocorrências que os cercam e cujas explicações e justificativas, ao invés de procurarem na razão e no bom senso, simplesmente buscam nos dogmas e mistérios.
Essa onda de misticismo que se renova e se alastra, nos dias atuais, apesar do elevado avanço científico e tecnológico, tem suas raízes, ora no completo desconhecimento dos ensinamentos ministrados pelo Mestre Maior da humanidade, ora na interpretação equivocada ou na deturpação de tais lições, para atender interesses transitórios e então, nesse clima de confusão mental, basta um falso profeta apresentar-se com um sugestivo nome oriental, com um turbante sobre a cabeça e uma barba farta, combinando antigos conceitos, extraídos de sábios e filósofos chineses, indianos, egípcios e gregos, para estabelecer nova ordem alimentar, novas posturas meditativas para captar bons fluídos e as energias curadoras do sol e da lua, enfim, instalar a crença na obtenção de milagres.
Tal comportamento do homem é perfeitamente compreensível e aceitável, porém, naqueles tempos em que ele ainda ensaiava seus primeiros passos na direção da atual civilização, quando ele para explicar e vencer os seus temores, recorre à ajuda e à proteção dos astros e até de animais, aos quais ele passa atribuir poderes divinos, porém, hoje, com o instrumental científico e a massificação de informações postas à sua disposição, que lhe permite entender os fenômenos que ocorrem à sua volta, explicá-los com base nos mistérios, afigura-se absolutamente inaceitável, eis que tal conduta equivale a um deliberado desprezo do bom senso e completa indisposição para o exercício do raciocínio lógico.
Certamente que a Fé, sempre em perfeita harmonia com o grau de compreensão da realidade em que se encontra o crente, é interpretada pela imaginação e apoiada pela maturidade intelectual do crente, encerra uma experiência personalíssima e por isso, questões relativas à fé não podem ser motivos de controvérsias e antagonismos pessoais e até motivo de guerras entre Nações e Estados, porém, tendo-se em vista a permanente busca da verdade, é razoável admitir séria e serena investigação com a finalidade de se identificar se suas bases e origens repousam sobre a areia ou sobre a rocha que resiste às tempestades.
Importante ressaltar que a partir do momento em que o homem entendeu que o sustento do seu corpo havia de ser obtido com o suor do seu rosto, (embora alguns religiosos, em bacanais secretos insistam em viver com o suor do rosto alheio) ele abandonou as práticas contemplativas e aceitou atitudes mais ativas, como um mandamento divino, na busca do progresso material do planeta e do seu próprio, tanto no sentido moral quanto intelectual, afinal, não é ele um simples turista para somente desfrutar do que a terra tem a lhe oferecer.
Sendo dessa forma, a máxima contida no Eclesiastes, segundo a qual "o aumento da ciência provoca o aumento da tristeza", carece de melhor interpretação, afinal, por ser interminável o processo evolutivo, essa tristeza certamente se refere à tristeza que o ser experimenta de se descobrir ignorante e, nesse particular, não duvido, o gênio Leonardo da Vinci tem razão quando afirma que "o mais nobre prazer é o júbilo de compreender" e, provavelmente por esse motivo quando o desejo de conhecer desperta no coração do homem nada mais o detém e, adeus primarismo.
Seguramente o que distingue o homem de outros animais é exatamente a sua capacidade de pensar e refletir o seu próprio pensamento e o de terceiros, tal como constatamos em Ésquilo, na sua homenagem indireta à humanidade na pessoa de Prometeu: "ouça agora as misérias dos mortais e perceba como de crianças que eram eu os fiz seres de razão, dotados de pensamento. No início eles enxergavam sem ver, ouviam sem compreender e semelhantes às formas oníricas, viviam sua longa existência na desordem e na confusão."
O ser humano, como é sabido, criado pela sabedoria divina, como dissemos, certamente não foi enviado para esse planeta na condição de turista, ao revés, tem o dever de se conservar e de se multiplicar e principalmente de engendrar esforços para melhorar a paisagem dessa sua morada transitória, contribuindo com o seu esforço e energia para construir uma sociedade mais fraterna, e tal ação só pode ser executada com a obtenção do conhecimento científico, base da fé raciocinada.
Acreditamos sinceramente que é através da intuição que nos apercebemos mais facilmente das realidades divinas e se processam as maiores realizações científicas, sentença que claramente se harmoniza com o entendimento do Espírito Emmanuel, quando sustenta que "o sentimento ilumina e clareia a razão", entretanto, acreditamos também que somente o fortalecimento da razão é capaz de despertar a Fé raciocinada.
#fe #razao #amor #luz #sabedoria 
~João Chene~

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