Toda criança é de certa forma um filósofo, em razão da sua enorme capacidade para se admirar das coisas e por insistir em satisfazer sua curiosidade com intermináveis questionamentos, deixando-nos quase sempre entre surpresos e encurralados, sem saber o que responder, mormente quando afirmamos que DEUS criou a vida e o universo e, ela nos pergunta: quem criou Deus?
Entretanto, nós que já não somos mais criança e já possuímos alguma compreensão da vida não devemos abraçar a dúvida sistemática, que ao contrário da filosófica e científica, aumenta a distância entre o aluno e a lição e dificulta a aceitação da fé raciocinada mas, com base na lógica, estabelecer um ponto de partida, porque nada acrescentará aos nossos propósitos admitir uma regressão serial de causas, (regressus ad infinitum) remontando de criação em criação.
Sendo assim, temos que partir de qualquer coisa incriada, cujo nome pouco importa, criador do espírito e da matéria, as únicas realidades absolutas da natureza, eis que as demais, tempo e espaço, por exemplo, são realidades relativas, pois suas existências, dependem de outras realidades.
Aliás, analisando as doutrinas milenares, encontramos nos Hindus, nossos ancestrais arianos do ciclo védico, um conceito de Éter Espacial da maior transcendência espiritual, chamado de Akasa ou Aditi, que seria a substância princípio, donde se origina todas as formas e seres existentes que, após serem vivificados pelo espírito divino, passariam do estado virtual para o estado real, do estado estático ao estado dinâmico.
É certo que quanto maior a distância que guardamos com algum objeto, maior é a dificuldade para descrevê-lo e definir suas formas, por isso é razoável admitir maior dificuldade ainda para o homem, no estágio moral em que se encontra, entender DEUS em toda a sua grandeza, o que não representa um problema insuperável, se considerarmos a afirmação de Jesus, pela qual se a verdade tem o vezo de se ocultar dos sábios, aos humildes ela se apresenta em toda a sua plenitude, pelas vias da emoção e da intuição.
Tendo sido criado à imagem e semelhança de DEUS, conforme afirmam as escrituras, o homem traz impresso na sua consciência a idéia da existência de um Ser superior e, por isso, na sua infância espiritual, por não entendê-lo, reverencia os fenômenos da natureza, os quais considera verdadeiros deuses, tal como se deu na era do paganismo e da mitologia.
A Doutrina Espírita, jamais se preocupou em saber quem é DEUS, ou o confundiu com um ser personificado, com características humanas, tal como um velhinho de barbas longas e alvas, cercado de súditos, prontos para atenderem todas as suas vontades, ao contrário, respondendo a questão nº 1, (Que é Deus) inserida no Livro dos Espíritos, sustenta que "DEUS é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas", dotado de bondade, justiça, tolerância, enfim, de todas as virtudes em grau absoluto.
Para admitir a sua existência basta afastar o intelectualismo vazio, patrocinado pelo orgulho e, arrimando-se nos princípios da lógica e do bom senso, considerar que inexiste efeito inteligente sem uma causa igualmente inteligente, como aliás Allan Kardec sustenta na obra citada, quesitos 5 e 6, ou como Voltaire sugere nos versos seguintes: "O universo deixa-me perplexo/ Pois não posso admitir/ Que esse relógio existe/ Sem que haja um relojoeiro"
Neste sentido, deixando de lado a bazófia, creio suficiente apenas um olhar em torno de tudo o que existe no universo: o mar, as flores, as frutas, os animais, a vida enfim que o homem jamais será capaz de criar, como aliás, coisa alguma, mas, apenas transformar e aperfeiçoar a criação divina, porque sendo o progresso uma lei divina, resulta que tudo está submetido ao princípio da evolução, tão claramente observado por Maeterlink que emocionado exclamou: "Para a frente e para o alto! eis a legenda gravada em cada átomo do Universo".
Como anunciamos anteriormente, o homem no atual nível evolutivo, mergulhado em suas misérias morais, não pode alimentar a ilusão ou a pretensão de ver DEUS, frente à frente, se a maioria dos mortais sequer consegue uma simples audiência com os detentores do poder temporal, todos, como eu e você, a caminho do túmulo, do pó e da podridão.
Por oportuno, vale recordar uma fábula oriental, na qual um imperador interrogando um rabino sobre a forma de contemplar Deus, obteve deste a seguinte orientação: "vê-lo eis com os próprios olhos, sob uma condição: Deveis olhar diretamente o sol por cinco minutos. O imperador, então, fixou o sol, mas, logo teve que fechar os olhos, ocasião em que o rabino lhe retrucou: Se não consegues fitar por um minuto, o sol, que é uma criação insignificante de DEUS, como podes querer ver aquele que criou o Universo?
Apesar do formidável avanço científico e tecnológico, a crença na existência de UM SER SUPERIOR, criador de todas as coisas, cada vez mais se fortalece nos corações despojados de orgulho e vaidade, pois que é mais fácil percebê-lo pelas vias do SENTIMENTO do que através da RAZÃO, afinal A. Einstein, um dos maiores representantes do pensamento científico do século passado, afirmava: "As leis fundamentais do Universo não podem ser demonstradas por análise lógicas, mas somente pela INTUIÇÃO, e ele mesmo completava, "DEUS é a Lei e o legislador do Universo
Por derradeiro, desejando ilustrar o presente texto, tomamos por empréstimo, a mensagem seguinte, cujo autor, no momento não recordo: "Quando quiseres saber QUE é DEUS, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta; a estrela que cintila e a flor que desabrocha; ao moço que espera e ao velho que recorda. Eles te responderão que DEUS é a dinâmica da Vida e a harmonia do Universo".
joaochene@gmail.com
#deus #universo

Nenhum comentário:
Postar um comentário